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Grupo de ransomware usou IA para invadir 62 empresas e deixou tudo exposto na web

Pesquisadores acharam o painel de um grupo que usava agentes de IA nos ataques. A brecha mais comum foi a de sempre: senha repetida.


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Ilustração de um robô com cadeado vermelho invadindo vários prédios de empresas e uma pasta de arquivos aberta.
Imagem ilustrativa.

Uma pasta esquecida aberta na internet mostrou como criminosos de ransomware estão usando inteligência artificial para atacar empresas. O que ela revelou tem pouca magia e muito descuido: os invasores entraram por sistemas sem atualização e, em um caso, com uma única senha repetida em vários lugares.

O que os pesquisadores encontraram

Segundo o The Hacker News, a descoberta foi da SOCRadar. O responsável é descrito como um agente de língua russa que invade empresas, rouba dados para extorsão e também fornece infraestrutura a parceiros de ransomware. A campanha está ligada a afiliados de dois grupos, o INC e o The Gentlemen.

Tudo girava em torno de uma estrutura chamada Phantom. O modelo é “executado por IA, aprovado por humanos”: uma pessoa escreve a instrução para cada vítima e revisa cada passo, enquanto a ferramenta roda os ataques usando modelos comerciais de IA. Quando um modelo se recusava a fazer algo, o operador reescrevia o pedido como se fosse um teste autorizado de segurança, em vez de trocar de modelo. Uma pasta exposta registrava 8.257 mensagens em 133 sessões.

Como entravam

A porta de entrada eram sistemas voltados para a internet, como acessos remotos, VPNs e painéis de hospedagem, a maioria com falhas já conhecidas. Depois de dentro, os invasores subiam de privilégio até controlar a rede inteira. O relato destaca a reutilização de senhas: em um caso, uma só senha abriu a VPN, os servidores e até as plataformas de backup e de segurança.

A pressão sobre as vítimas

Os criminosos analisavam as finanças roubadas para estimar quanto a vítima conseguiria pagar sem envolver banco ou seguradora. Mandavam amostras com dados escondidos e pressionavam com ligações por telefone e ameaças de avisar clientes, parceiros e órgãos reguladores. Sem pagamento em 24 a 72 horas, os dados iam para o site de vazamentos.

Quem estava na mira

Foram cerca de 62 organizações visadas, e 4 apareceram nos sites de vazamento. Mais da metade dos alvos estava nos Estados Unidos, principalmente indústria, manufatura e energia, depois saúde e farmacêuticas. A reportagem não encontrou registros de pagamentos, então não se sabe quanto os criminosos ganharam. O recado serve para qualquer empresa, inclusive pequenas: o ataque era automatizado, e o que o barrou ou deixou passar foi o básico.

Como se proteger

  1. Atualize tudo que fica aberto para a internet: VPN, acesso remoto, firewall, site e painéis de hospedagem.
  2. Nunca repita senhas entre sistemas, principalmente nos de administração, backup e segurança. Use um gerenciador de senhas.
  3. Ative a verificação em duas etapas em e-mail, VPN e painéis de administração.
  4. Mantenha backups separados da rede principal, para que uma invasão não alcance as cópias.
  5. Desconfie de ligações urgentes de quem diz ser do suporte ou de um órgão. O golpe por telefone fazia parte da extorsão.

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